Camarada Luís Neto

Tive uma notícia que me deixou muito preocupado, referente ao camarada Luís Neto que privou comigo diariamente no dia-a-dia da nossa actividade da Secretaria da CCS do Batalhão.

Telefonei para casa dele na ideia de trocarmos umas larachas e falar-lhe da careca dele e a esposa informou que ele tinha ido hoje para o Hospital de Vila Franca de Xira, dado que se sentiu mal e ainda não sabiam o que se passava.

Espero que tudo não passe de uma situação passageira e… força Luís!

Tínhamos uma amizade forte. Da esq. para a direira: Greazina (motorista do Comandante, Luís Neto ao meio e eu à direita, em minha casa num almoço quando viemos de férias à Metrópole em 1968

Tínhamos uma amizade forte. Da esq. para a direita: Grazina (motorista do Comandante, Luís Neto ao meio e eu à direita, em minha casa num almoço quando viemos de férias à Metrópole em 1968

Nota: Já falei ao telefone com o Luís, estava em casa em convalescença e os exames não ditaram nada de anormal.

Sai cabrito à Luis Neto p’ró jantar e uma lata de manteiga derretida com casqueiro p’rá ceia…!!!…

 

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Cerimónia da entrega da Medalha Guiné 1968-69

No passado dia 28 de Maio de 2014, pelas 14:00 horas, no Regimento de Lanceiros 2 (Polícia do Exército), teve lugar uma cerimónia para entrega da Medalha Guiné 1968-69, presidida pelo Exmo. Senhor Comandante da Unidade (Cor), Segundo Comandante (Ten.Cor) e vários Oficias. A ligação desde o contacto telefónico até à data da cerimónia foi sempre efectuada através do Senhor Sargento-Chefe Carlos Marques que teve a amabilidade de ser o cicerone na visita à Unidade e aos seus vários polos de actividade.

Confesso que emocionei-me (coisas da velhice) quando o Exmo. Senhor Comandante colocou a medalha no meu peito pois num flash lembrei-me dos tempos passados com os meus camaradas na Guiné em 68/69 e sem querer, as lágrimas chegaram-me aos olhos. Impossível resistir a este momento, passados que foram 45 anos, tendo o Exmo. Senhor Comandante mencionado “até parece que foi ontem…”. Nem mais. Parecia mesmo que aquele momento tinha sido ontem a saída da Guiné em Novembro de 1969, embora o cenário fosse a Sala do Comando do R.L. 2…

Aqui ficam as imagens desta cerimónia, tiradas por um elemento do Regimento e gentilmente cedidas através do Exmo. Senhor Sargento-Chefe Carlos Marques.

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Dado o meu ciclo de vida estar a chegar ao fim, esta medalha será entregue a uma das minhas netas para recordar, juntamente com este Blogue, o período em que o avô esteve ao serviço das Forças Armadas Portuguesas, no tempo do fascismo salazarista, deslocado na ex-colónia da Guiné-Bissau desde Janeiro de 1968 a Novembro de 1969.

Mais uma humilhação para os ex-Combatentes

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José Alberto Morais da Silva, Coronel Piloto Aviador na Reforma, vem, por este meio, protestar contra a vergonha e humilhação por que fez passar os Antigos Combatentes vergonha quando da visita de V. Excelência a Moçambique!

Por certo que sabia ou se não sabia, alguém do luzidio séquito que o acompanhou na visita deveria ter-lhe dito, que havia um cemitério no Maputo onde estão os restos mortais de vários Militares Portugueses que perderam a vida nos combates em Moçambique durante a guerra do Ultramar.

Era sua obrigação, como Primeiro Ministro de Portugal ter ido prestar homenagem aos nossos mortos em combate.

Mas V. Excelência, do alto dos seus altos conhecimentos da arte de ser político ou por não ter cumprido Serviço Militar e, portanto, não saber bem o que significa a palavra Patriotismo, decidiu prestar homenagem aos mortos do nosso adversário nessa guerra, deixando no esquecimento aqueles que perderam a vida numa guerra que justa ou injusta, foi uma guerra em que perderam a vida alguns milhares de Militares Portugueses.

Este acto de V. Excelência foi mais uma desconsideração e humilhação para os Militares deste País e poderá V. Excelência ficar a saber que 1.300.000 Portugueses, Antigos Combatentes também não esquecerão a afronta cometida pelo Primeiro Ministro de Portugal.

José Alberto Morais da Silva
Coronel da Força Aérea na Reforma
BI. 000201B

Facebook

(Nota) – Este PM odeia os Portugueses e Portugal. O pai dele confirmou isso na entrevista que deu. Considerou que não se revê neste Portugal que o encontrou «sujo e imundo», talvez por trazer na bagagem a memória de uma Angola «florida e limpa»… Isto diz tudo. Mas se este Portugal se encontra “sujo e imundo”, deve-o TOTALMENTE a políticos da estirpe de Pedro Passos Coelho e de TODOS os que anteriormente desgovernaram o País no pós 25’Abr’74. Não sei é porque esta família não regressa à terra que tanto ama e pedem nacionalidade angolana… Não fazem cá falta mais fascistas dos que por aí abundam, camuflados de “democratas”…

Imagens da Guiné

Pilando arroz

Pilando arroz

Ponte-cais Bissau

Ponte-cais Bissau

Monumento a Diogo Cão e Edifício das Alfândegas

Monumento a Diogo Cão e Edifício das Alfândegas

 Bissau. Monumento ao esforço da raça. Praça do Império.

Bissau. Monumento ao esforço da raça. Praça do Império.

 Bissau. Vista aérea da ponte-cais.

Bissau. Vista aérea da ponte-cais.

 Monumento a Nuno Tristão em Bissau.

Monumento a Nuno Tristão em Bissau.

Catedral de Bissau.

Catedral de Bissau.

 Avenida marginal de Bissau.

Avenida marginal de Bissau.

 Bissau. Avenida da República.

Bissau. Avenida da República.

Bissau. Palácio do Governador.

Bissau. Palácio do Governador.

 Aeroporto "Craveiro Lopes" em Bissau.

Aeroporto “Craveiro Lopes” em Bissau.

In Guiné-África


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Guiné 1968/69

Batalhão de Caçadores nº. 2834

Unidade Mobilizadora: R I 15 Tomar
Comandante: Ten. Cor. Inf. Carlos Barroso Hipólito
2º Comandante: Maj. Inf. Rui Barbosa Mexia Leitão
Oficial Inf Oper. Adj: Maj. Inf. Albino Simões Teixeira Lino
Companhias: CCS; CCaç 2312; CCaç. 2313 e CCaç. 2314
Divisa: “Juntos Venceremos” – “pra vencer, convencer”
Partida: Embarque em 10.Jan.68; desembarque em 15.Jan.68
Regresso: Embarque em 23.Nov.69

Síntese da Actividade operacional

Em 16Jan68, rendendo o BArt 1904, assumiu a responsabilidade do Sector de Bissau, com sede em Bissau e abrangendo os subsectores de Brá, Nhacra e Quinhámel, comandando e coordenando a actividade das subunidades ali estacionadas por forma a garantir a segurança e defesa das instalações e populações da área; as suas subunidades foram então atribuídas a outros sectores.

Em 24Junho68, foi substituído no sector de Bissau pelo BCaç 1911 e assumiu em 25Junho68 a responsabilidade do Sector S2, com sede em Buba e abrangendo os subsectores de Sangonhã, que viria a ser extinto em 29Julho68, Gadamael, Cameconde, que desde 28Dez68, passou a subsector de Cacine, Guilege, Gandembel e Buba, onde rendeu o BArt 1896.

De 20Agosto a 07Dezembro68, a sua zona de acção foi reduzida dos subsectores de Guileje e Gandembel, que foram atribuídos temporariamente ao COP 2.

Em 15Janeiro69, a sua sede foi transferida para Aldeia Formosa, onde substituiu o COP 1 e sendo então o subsector de Aldeia Formosa, incluído na sua zona de acção.

Em 29Jan69, o subsector de Gandembel foi extinto e em 19Jan69, o subsector de Buba foi atribuído ao COP 4, então criado.

Em 10Julho69, por transferência da sede do COP 4 para Aldeia Formosa, o Batalhão deslocou a sua sede para Gadamael, abrangendo nesta altura os subsectores de Guileje Cacine e Gadamael.

Desenvolveu intensa actividade operacional de patrulhamento, reconhecimentos, emboscadas e segurança e controlo dos itinerários, bem como operações e acções sobre as linhas de infiltração e bases inimigas, orientada para a desarticulação dos grupos inimigos que procuravam fixar-se na sua zona de acção e ainda para a segurança e protecção dos trabalhos da estrada Buba-Aldeia Formosa.

Dentre o material capturado mais significativo, salienta-se: 2 pistolas-metralhadoras, 1 espingarda, 115 granadas de armas pesadas, 20 cunhetes de munições de armas ligeiras e 92 minas anticarro e antipessoal, destas, parte detectada e levantada nos itinerários.

Em 30Setembro69, recolheu a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso, sendo a sua zona de acção integrada no Sector S3, então da sob a responsabilidade do BArt 2865.

In, Estado Maior do Exército – Comissão para o Estudo das Campanhas de África [1961-1974
Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África [1961-9174] – 7º Volume, Fichas das Unidades, Tomo II, Guiné, 1ª Edição Lisboa 2002, pág. 104 a 106

Obs: O Livro pode ser adquirido na Direcção de História e Cultura Militar
Palácio do Lavradio – Campo Santa Clara – 1149-059 Lisboa – Telf 218 815 700

OBS: História da Unidade [Caixa nº 71 – 2ªDiv/4ª Sec, do AHM]  – A CCaç 2312; CCaç 2313 e CCaç 2314  têm História da Unidade [Caixa 76 – 2ªDiv/4ª Sec, do AHM] – Arquivo Histórico Militar>Sta. Apolónia>Lisboa

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A minha história, como ex-combatente da guerra colonial, arrumei-a na zona cerebral destinada ao esquecimento. Primeiro, porque fui obrigado a ir para uma guerra que não me dizia nada, absolutamente nada; segundo, porque quando fui mobilizado, estava casado e já tinha uma filha com dois anos de idade; terceiro, porque nunca gostei de tropa, fardas, etc..

Feita a recruta na Serra da Carregueira, em Abril de 1967,

Juramento de Bandeira - Serra da Carregueira

Juramento de Bandeira – Serra da Carregueira

segui para o RAL 4, em Leiria para tirar a especialidade de escriturário, profissão que já exercia na vida civil desde 1960. Aí, tive como companheiros de caserna o fadista João Braga e o guitarrista José Pracana.


[Nota: José Pracana, o primeiro guitarrista da esquerda, acompanhando João Braga]

Confesso que nunca gostei de fado, a minha música era outra, rock, pop, latina, dança, pois comecei na música com 10 anos de idade e a pisar os palcos das Colectividades de Recreio lisboetas, primeiro como viola clássica de acompanhamento, depois como contrabaixista e finalmente como vocalista (1958). Mas naquele tempo, as cantorias do João Braga e do Zé Pracana na caserna, davam para ir passando os tempos livres depois das aulas… Nunca mais os vi ou tive qualquer tipo de contacto com eles finda a especialidade.

Finda a especialidade fui colocado em Lisboa na Administração Militar, no Lumiar (já não me recordo bem do nome da Unidade, penso que era Grupo de Companhias de Administração Militar) e logo de seguida, colocado na Secretaria da Escola Militar de Electromecânica em Paço Arcos (parte Exército, parte Força Aérea), onde estive menos de dois meses e onde recebi a ordem de mobilização para o Ultramar.

A Unidade mobilizadora foi o R.I. 15 em Tomar para onde fui fazer o I.A.O. em Nov/Dez/67 e a 10 de Janeiro de 1968 embarquei no Uíge rumo à Guiné-Bissau tendo chegado cinco dias depois. A minha Companhia ficou 5 dias em Bissau para receber a logística, armamento e ordens de operacionalidade e seguimos por LDG até Buba onde, meia hora depois, ainda estávamos a arrumar a tralha e a instalar-nos, sofremos o primeiro ataque (banho de fogo aos piriquitos) com roquetes, canhão sem recuo e morteiro 120. A primeira reacção foi mergulho para as valas escavadas ao longo do perímetro e depois agarrar na G3 e distribuir-nos pela área do arame farpado e pelos 4 abrigos, um em cada canto do aquartelamento que era uma espécie de quadrado rodeado de arame farpado e projectores de 150W alimentados por um gerador.

Cerca de 45 minutos depois terminou a festa e o fogo de artifício, com os ouvidos abafados dos rebentamentos e a adrenalina a correr ao máximo, acabámos de arrumar a tralha enquanto a Companhia que fomos render ia embora de regresso à Metróple na mesma LDG que nos trouxera sob os cânticos de

Piriquito vai p’ró mato, olé, lé, lé…
E a velhice vai p’rá Metrópole, olé lé, lé, lé…

e lá fomos jantar ao refeitório, local que competia tragicamente com uma tasca tropical e onde a temperatura rondava os 40ºC à sombra, embora não existissem caipirinhas nem vodkas geladas… Mas… o whisky Chivas Regal, White Horse, Buchannan’s e a vodka Stolichnaya, aliado ao Cognac Martell’s e à verdadeira Coca Cola americana, começaram a ser as nossas bebidas de preferência, acompanhadas da inigualável mancarra (amendoim) dado que água… só a da bolanha (campos de cultivo de arroz) e passada por algodão depositado no lenço de assoar e chupada através dele… Uma delícia, podem crer!

Entretanto, a noite começou a cair, com uma humidade de fazer ranger os ossos mas com todos de olho aberto/olho a dormir não se tendo passado mais nada de especial. Nos dias seguintes e durante os cerca de seis meses que passámos em Buba, as “festas” e o “fogo de artifício” eram quase dia sim dia não. Os primeiros dois meses custaram, mas depois acabou a era do piriquito e começou a era do veterano onde tudo se procedia com mais calma e ponderação e onde não se faziam tantos disparates a nível pessoal.

Aquele brasão do BCaç.2834, no estandarte inserido no topo desta notícia, foi da autoria do então Tenente Esteves, Chefe da Secretaria da CCS do Batalhão, mas foi integralmente acabado e pintado por mim, primeiro em papel vegetal e depois em papel normal para enviar à empresa que fabricava esse tipo de galhardetes. Um trabalho de dias e dias seguidos…

(em actualização)

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